
Enquanto isso, rio intimamente, e em profundo desprezo, da astúcia ingênua dos que têm respostas para tudo. Os que desarmam bombas nucleares com grampos de cabelo, ditam regras a pessoas cujos dilemas éticos não são os seus, pisoteiam a consciência e a caminhada evolutiva alheia, graças à verborragia fantasiosa que os caracteriza. Paciência.
Caminho e penso, interrompendo os meus passos somente para trocar abraços e beijar o rosto dos meus amigos sinceros, para colher as impressões dos transeuntes que, indo ou vindo, percorrem comigo a mesma estrada, em busca de auto-conhecimento, e me dão dicas importantes sobre as saliências do terreno. Uns desfilam, outros são trôpegos; alguns, altivos, outros tantos, desengonçados; eretos, mais outros, corcundas, uns restantes; de passada firme, pequeno número dos caminhantes, vacilantes, muitos, por não conhecerem o chão em que pisam e o calçado que lhe seria compatível. Assim é. A vida e a caminhada. Emociono-me e sigo, então, dando graças a Deus por tudo isso.
Hoje, numa dessas paradas necessárias, chorei muito, ao ouvir falar de um homem altivo e nobre que, vencendo a si mesmo e abandonando suas rotas e vazias convicções, com muita ousadia, ultrapassou o ramerrão das comodidades falsas, se tornou bom e verdadeiramente distinto. E de cuja imagem pretendo aproximar o auto-retrato que farei de mim, um dia.
Fui acometido de eloqüente estesia que me trouxe até aqui, agradecido. De novo, para caminhar.
Voltam, pois, as Teorias Umbilicais.